PREVISÃO PARCIAL DE RESULTADO EM SEGUNDO TURNO

Por Felipe Lima


Bolsonaro deverá manter a porcentagem fiel do primeiro turno de 46%.
Haddad também deverá manter o eleitorado fiel do primeiro turno de 29,3%.

Agora adicionarei ao Haddad os votos dos outros candidatos que dou como praticamente certos para ele:
Vera Lúcia 0,1
João G Filho 0,1
Guilherme Boulos 0,6
Marina Silva 1
Total 1,8
1.8 + 29,3 que já possuía = 31,1%

Agora também adicionarei a Bolsonaro os votos dos outros candidatos que também são praticamente certos:
Eymael 0,1
Álvaro Dias 0,8
Daciolo 1,3
Amoêdo 2,5
Total 4,7
4,7 + 46 que já tinha = 50,7%

Agora vem os impasses e incertezas, com o eleitorado de Ciro e Alckmin. Digo incertezas porque nem todos os eleitores do Ciro, que são mais racionais que os de Lula, votarão no Haddad. Alguns anularão o voto por não gostar das opções que restaram e outros até mesmo votarão em Bolsonaro (conheço alguns que o farão). Desta forma, vou ser bem conservador e adicionar apenas 10 dos 12,5 votos do Ciro ao Haddad e não adicionarei os 2,5 restantes ao Bolsonaro ainda. No caso do Alckmin, acredito ter muito eleitor que prefere o Bolsonaro que eleger o PT, mas apenas dividirei seus votos (4,8) com ambos: 2,4 pra cada. Fica:
31,1 + 10 + 2,4 = 43,5% para Haddad
50,7 + 2,4 = 53,1% para Bolsonaro

Faltou alguém? Sim, o Henrique Meirelles (1,2). Apesar de não o considerar uma certeza de votos nem pra um, nem pra outro candidato, seu percentual é muito pequeno. Seus eleitores não incluem a classe trabalhadora que daria votos ao Haddad, visto que seu nome é ligado aos banqueiros e a turma do Michel Temer, mas por outro lado ele trabalhou para o PT. Vou usar o critério da metade novamente e dividirei seus votos igualmente, mesmo acreditando que a maioria irá para Bolsonaro. Então fica:
Haddad 44,1%
Bolsonaro 53,7%

Agora vem os fatores que não podem ser previstos por movimentação direta de votos. Votos nulos ou ausências, entre os que votaram no primeiro turno, caso haja, certamente não serão de eleitores de Bolsonaro, que tem um apoio fiel. Creio que alguns dos eleitores de Ciro e de Alckmin estão descontentes com as opções que restaram e alguma parte deles irá anular os votos, que ideologicamente deveriam ir para Haddad, prejudicando o petista, ainda que pouco.

Os eleitores do NOVO em sua maioria deverão apoiar Bolsonaro. Entendo que a afirmação do partido de não apoiar o PT de jeito nenhum seja a maneira deles de dizer que apoiam Bolsonaro sem comprometer seus valores internos. Uma parcela pequena dos eleitores de Amoêdo poderá anular o voto, e uma ínfima votará em Haddad, então não creio que terá grande impacto no resultado de Bolsonaro. Sendo assim, as anulações devem aumentar a diferença em favor do capitão.

O tempo de TV será igual para os dois candidatos, fazendo com que mais pessoas conheçam as propostas de Bolsonaro, já que seu tempo no primeiro turno era infinitamente menor que o do petista (exceto pelo episódio da facada). Soma-se a isso o fato de que na internet Bolsonaro domina com larga folga e seus apoiadores fazem campanha de graça nas ruas. Os debates, caso existirem, deverão ser mais confortáveis para Bolsonaro contra Haddad do que se fosse contra Ciro Gomes, pois poderá fazer o que sabe de melhor; atacar o PT. Haddad não poderá usar o argumento de que Bolsonaro votou em Lula no passado e de ter elogiado Hugo Chaves contra o capitão, por uma razão lógica, convenhamos. O apoio do congresso, do mercado financeiro e das instituições religiosas deverá ser usado como arma por Bolsonaro. Haddad deverá ficar na defensiva diante dos escândalos que o próprio partido sofre e de sua derrota nestas eleições e também atacar Bolsonaro com o arsenal de sempre, do qual Bolsonaro já está expert em se defender. A qualquer momento uma nova deleção premiada poderá ser divulgada e prejudicar a campanha do PT. Ou algo parecido.

Nas eleições de 2014, Aécio Neves recebeu 50% mais votos no segundo turno que no primeiro, enquanto Dilma recebeu um aumento de apenas 26% no segundo em relação ao primeiro turno. O contexto pode ser diferente, mas se aplicarmos o critério de que o anti-petismo estava já em alta na época e que isso se refletiu nos votos de Aécio, o mesmo pode acontecer nestas eleições, já que o PT está mais arruinado ainda e Bolsonaro não é um mero Aécio.

Não me esqueci dos 2,5 pontos restantes de Ciro Gomes que não atribuí a Bolsonaro ainda. Supondo que eles realmente não vão para Bolsonaro e forem inteiramente para Haddad, ainda não é o suficiente para ultrapassar o capitão, que continuará com 53,7% e Haddad com 46,6%. Observe que tenho sido bastante conservador e modesto no número de votos que estou adicionando a Jair, podendo ser maior na realidade. Adicionemos a isso as variáveis observadas nos quatro parágrafos anteriores e a margem de votos de Bolsonaro deverá aumentar um pouco mais.

As possíveis fraudes nas urnas não estão sendo levadas em conta, e somente isso, ou uma improvável perda de votos para Haddad explicaria uma derrota do candidato do PSL.

Bolsonaro teve 46% dos votos no primeiro turno. Com todos os outros votos de todos os outros candidatos somados, incluindo do próprio Haddad, dá apenas 54%. Pode até ser uma maioria, mas como dito antes, não são todos que irão votar em Haddad no segundo turno. Alguns anularão votos e outros, pelo menos (PELO MENOS) 4,7%, votarão em Bolsonaro.

Arrisco apostar, cautelosamente, numa vitória de Bolsonaro com uma pontuação que ficará entre 57 e 63%, podendo ser mais, e se fosse pra dar um número mais preciso eu daria 61% para a vitória de Bolsonaro, levando em conta tudo que foi descrito até aqui, e somente isso.

Cenário para Jair Bolsonaro:

Nas eleições de 2014, no primeiro turno, Dilma venceu em 11 capitais e Aécio em 11 também. Todas as capitais do Nordeste elegeram a petista. Dilma, não no auge do petismo, mas ainda na onda, empatou com o nada impressionante Aécio Neves. Uma vitória nada gloriosa.

Nas de 2018, Haddad venceu em apenas 3 capitais contra 23 capitais de Jair Bolsonaro. Isso inclui 5 das 9 capitais nordestinas em favor de Jair. Uma tremenda vitória. Desde Lula para cá, nenhum candidato de oposição havia obtido um resultado tão positivo, em especial no Nordeste.

Os conservadores cresceram consideravelmente no legislativo e os deputados do PSL, partido de Bolsonaro, saltaram de 8 para 51 cadeiras, se tornando a segunda maior bancada no congresso, enquanto deputados e senadores petistas foram reduzidos, incluindo nomes conhecidos, como Eduardo Suplicy e Lidbergh Farias. Antes das eleições, bancadas do congresso já haviam declarado apoio a Jair, como a ruralista, a de maior peso, e a evangélica.

O mercado financeiro reagiu positivamente com o sucesso do capitão, atraindo investimento estrangeiro e maior confiabilidade num cenário de mercado sob seu plano econômico. Haddad, por outro lado, tem encontrado dificuldade em atrair, conquistar e convencer empresários e investidores.

O cenário é positivo para Bolsonaro, que terá, caso eleito, uma boa base de apoio, possibilitando melhor governabilidade, e a simpatia de quem gera empregos, mas que agora terá que conquistar o eleitor do interior do Nordeste e uma parcela dos eleitores de Ciro Gomes e Alckmin.

A disputa corpo a corpo, com o mesmo tempo de TV e as estratégias de ambos os candidatos será determinante para o resultado final, apesar de, em minha opinião, estar praticamente definido. Aguardemos.

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