A virada de uma era ou o decreto da mesmice

Por Felipe Lima


Daqui a poucos meses as próximas eleições presidenciais serão um marco na história do Brasil. Estamos vivenciando um fenômeno na nossa política, algo que que não se via desde a redemocratização, e os anos seguintes serão o resultado desta mudança. Ou não!

Vamos aos fatos; desde o regime militar o país não tem um governo de direita, tendo apenas os social-democratas e a própria esquerda, todos farinha do mesmo saco. 

Os governos do PT, com os escândalos de corrupção e do caos gerado na economia, o maior acesso a internet e a mídias alternativas aos grandes veículos de comunicação tradicionais, ajudaram a formar tantos liberais e direitistas como nunca havia antes.


E em meio a esse cenário surge Jair Bolsonaro. Ele é, no momento, o nome mais cotado para a presidência em 2019, o que não deveria ser uma surpresa pois ele tem as qualidades que tem o brasileiro em geral: conservador, cristão e com viés econômico mais ou menos liberal (atraindo a simpatia da crescente juventude liberal). Multidões o recebe nos aeroportos. Carreatas são feitas em seu nome. Outdoors com sua imagem são erguidos.


Mas como ele conseguiu tanta atenção? Apanhando! A grande mídia o atacou tanto que ajudou a criar um monstro. Quanto mais ela bate, mais ele cresce. Uma espécie de campanha grátis. Resta saber uma coisa; Ele terá pouquíssimo ou nenhum tempo na TV durante a campanha; será que todo esse apoio que ele tem na internet será suficiente para elegê-lo ou o povo vai escolher novamente alguém do mainstream centro-esquerdista promovido pela grande mídia tradicional? Isso é difícil prever.

Se por um lado, aqui no nordeste o apelo por governos assistencialistas (socialistas) é grande, por outro lado ainda se preserva muito os valores morais conservadores. Se por um lado o Sulista ou Sudestino tem mais acesso a informações que vão além do senso comum, por outro lado o nordestino ainda não foi tão influenciado pela agenda progressista, e isso pode colaborar com a empatia por Bolsonaro.

Se for eleito será um divisor de águas, não por ser ele uma inovação política como indivíduo, mas pela forma como será eleito (supondo que seja). As pessoas cada vez mais estão se afastando da TV e se um candidato eleito pela internet vencer deixará a TV tradicional ainda mais em descrédito e ofegante. Isso mudará todas as formas de fazer campanha nas eleições futuras.

Já li opiniões que achavam melhor um centro-esquerdista vencer pois, já que o Brasil está na lama mesmo e não deverá apresentar melhoras, assim o que ocorrer de ruim entraria pra conta do próximo governo e não afetaria a imagem da já discreta e tímida direita. Mas esta análise é de um pessimismo e covardia que nem o mais frio pessimista e nem o mais covarde ousariam fazer. Não deve-se delegar a esquerda mais uma década de governo e ser uma eterna oposição. Assim a direita não vive, ela sobrevive. Está na hora da direita deixar de ser oposição e ser o governo. E talvez o momento esteja próximo.

Os últimos tempos já são um fenômeno político. Uma época de polarização, mas também de formação de opiniões novas, de participação do jovem na política, do acesso a ideias plurais, de novas ferramentas. As próximas eleições serão a prova de fogo desta geração. Iremos ter uma direita vencendo o establishment e consolidará este fenômeno ou o mesmo establishment fabricará mais uma de suas repetidas figuras?

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