MAIS DIREITOS OU MENOS EMPREGOS: UMA ESCOLHA URGENTE
Por Felipe Lima
A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), é uma criação do
governo fascista de Getúlio Vargas, inspirada na famosa Carta Del Lavoro do ditador fascista Benito Mussolini, da Itália. O
objetivo de ambas, que era difundido como sendo para proteger o trabalhador
era, na verdade, uma forma de controle social das mais perversas, uma
ferramenta de submissão das classes trabalhadora e empresarial ao estado
onipotente.
Ao invés de deixar que os indivíduos e empregadores realizem os
contratos que acharem adequados, o estado cria um sistema de controle que
subjuga ambos ao seu crivo imoral. Impondo regras como, multa rescisória para o
empregador e retenção do FGTS para o empregado, a CLT torna o simples processo
de encerramento de contrato num verdadeiro dilema; o empregado não quer pedir
demissão para não perder os tais direitos e por isso muitas vezes acaba fazendo
coisas que possam provocar sua demissão, como faltar, chegar atrasado, relaxar
no serviço, etc. O empregador por sua vez fica refém dos custos que uma
demissão pode lhe causar, como a multa rescisória e custos com uma nova
contratação para substituir aquele empregado.
Enche-se o trabalhador de direitos, cria-se uma relação de
antagonismo entre ele e o empregador, entope-se a justiça com um oceano de
processos trabalhistas, trazendo mais custos ao pagador de impostos e faz-se
com que todos permaneçam sempre implorando soluções ao governo. Criam-se servos
dependentes. Escravos institucionalizados.
A (i)moralidade dos encargos trabalhistas é algo pouco mencionado
nos debates sobre o assunto. É imoral que uma pessoa, no caso o empreendedor,
seja obrigado a contribuir com o Fundo de Garantia do funcionário. É imoral que
o empreendedor seja obrigado a pagar um salário a mais no fim do ano ao
funcionário. É imoral que um empreendedor seja obrigado a pagar uma multa por
demitir um funcionário, ainda que sem justa causa. Esta multa só deveria ser
aceitável em contratos individuais firmados entre as partes, não num “contrato”
imposto a ambos por burocratas. Se você é um trabalhador celetista deve estar
achando essa conversa estranha, mas isso é porque, provavelmente, você nunca
tenha olhado essas relações sob uma ótica moral. Você nunca se colocou no lugar
de quem gera empregos.
Mas antes de explicar porque o excesso de direitos trabalhistas
causa desemprego, alguns deles devem ser analisados de uma forma realista,
diferente do senso comum;
O FGTS (Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço), uma herança do Regime Militar, parece ser uma
mão na roda para o trabalhador que é demitido. O empregador deposita,
mensalmente, um valor correspondente a 8% do salário do funcionário numa conta
em nome do mesmo. Porém, esse dinheiro poderia ser muito melhor aplicado se
fosse entregue diretamente ao trabalhador. O dinheiro do FGTS não fica parado.
Ele é utilizado pelo governo para gastar com obras públicas e, não muito raro,
negociatas obscuras com empresas duvidosamente selecionadas. O trabalhador está
emprestando dinheiro para o governo e sendo roubado por ele ao mesmo tempo.
Isso porque o governo “devolve” ao trabalhador um “rendimento” de 3% + TR. O
problema é que este “rendimento” está sempre abaixo da inflação, que fica quase sempre na média de 5 – 6% e isso
significa que, ao invés desse dinheiro estar rendendo de fato, ele está
perdendo o poder de compra. Se esse dinheiro fosse entregue na mão do
trabalhador mensalmente, ele poderia aplicar em investimentos com maior
rentabilidade, como a poupança, CDB e Tesouro Direto. O trabalhador está,
literalmente, perdendo dinheiro.
O 13° Salário é outro
encargo sobre o empregador que aparentemente dá um salário extra ao trabalhador
ao final do ano, mas que na verdade poderia ser dado durante o ano todo na
forma de um salário maior. O empregador sabe exatamente o quanto pode gastar
com cada funcionário com alguns cálculos e, sabendo que deve pagar aquele
salário extra no fim do ano, ele divide por treze o que poderia ser um salário
maior para o funcionário. É uma pizza de doze pedaços partida em treze.
Se existe algo que condene indivíduos à informalidade e ao
desemprego, é o Salário Mínimo. Basicamente,
ele impede que aquelas pessoas que produzem menos que o salário mínimo imposto
pelo governo sejam contratadas, pois o governo não permite que seja pago um
salário menor que o mínimo por um serviço em tempo integral. Para quem está
empregado pode ser muito bom, mas para quem está de fora do mercado e gostaria
de trabalhar, ainda que recebendo menos, é uma amarga sentença.
Imagine, por exemplo, se o governo aumentasse o salário mínimo
para o sugerido pelo DIEESE (R$ 3.636). Será que os
empresários manteriam o mesmo número de funcionários? Óbvio que não! Haveria
demissões em massa e uma inflação gritante. Ainda mais pessoas seriam
condenadas ao desemprego. Não há motivos para aceitar a existência do salário
mínimo em qualquer nível.
Alguém pode argumentar que mal dá para sustentar uma família com
um salário mínimo. Mas ocorre que empregos que pagam este salário não foram feitos para sustentar uma
família. Eles são destinados a pessoas que estão começando a entrar no mercado.
O primeiro emprego geralmente é o passo essencial com o qual o profissional vai
adquirir qualidades que o ajudarão a progredir na carreira, e só aumentando a
produtividade é que é possível receber salários mais altos.
Um relatório do Banco Mundial, divulgado no site Valor Econômico, sugere que as políticas de
salário mínimo no Brasil sejam revistas. Segundo a matéria: "As restrições das leis trabalhistas às
empresas e o alto (e crescente) valor do salário mínimo têm o potencial de
limitar as oportunidades de trabalho formal - principalmente para os jovens em
busca de emprego". Para o Banco Mundial, salários mínimos elevados e
obrigatórios elevam os custos dos trabalhadores menos qualificados,
incentivando a substituição do trabalho por tecnologias que economizam mão de
obra ou empurrando os trabalhadores para a informalidade.
Se realmente as leis trabalhistas protegessem os trabalhadores,
eles migrariam de países com menos leis trabalhistas para países com mais leis
trabalhistas, mas o que acontece é o oposto. Trabalhadores que vivem em países
com menos direitos trabalhistas vivem melhor que em países repletos de
direitos. É comum que brasileiros e mexicanos se programem para tentar viver e
trabalhar nos EUA, um país com grande flexibilidade nas relações de trabalho,
que o contrário.
Empreendedores costumam evitar investir em mercados altamente
regulados e com onerações excessivas. Empreendedores preferem instalar suas
empresas em mercados menos regulados. Quanto mais o governo de um país cria
encargos e burocracias em cima de empresários, menos incentivo eles têm de
instalar nele seus negócios e, conseqüentemente, menos empregos serão criados.
Os encargos sobre o empregador tornam o custo de contratar um
funcionário muito alto, fazendo com que ele normalmente contrate menos
funcionários do que realmente gostaria. O alto custo com pessoal obriga o
empreendedor a repassar esses custos ao preço dos serviços e produtos que
produz, tornando-os mais caros para os clientes, dentre os quais a própria
classe trabalhadora faz parte.
Sobrevive no mercado aquele empreendedor que mais consegue reduzir
seus custos. Quando o empresário é submetido a tantos encargos, ele cria
alternativas para reduzir seus custos; ele pode substituir alguns de seus
funcionários por sistemas de atendimento automatizado, deixar de bonificar seus
funcionários mais produtivos, evitar novas contratações ou repassar os custos
para o cliente através da inflação de preços. Os altos custos que os direitos
trabalhistas impõem ao empregador estão evitando que mais pessoas possam sem empregadas.
Não há como uma legislação de mais de oitenta anos continue sendo
imposta aos trabalhadores, em uma época com tanto desemprego, sem que haja uma massiva
reformulação, flexibilização ou até mesmo, e é o que eu defendo, a sua completa
extinção. Se quisermos, de fato, termos pleno emprego, além de medidas de
responsabilidade fiscal e de busca por retomada de investimentos, teremos que
decidir, sim, entre mais direitos e menos empregos ou menos direitos e mais
empregos.




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