Meus filmes favoritos de Billy Wilder
Por Felipe Lima
Se existe uma tarefa para mim tão difícil quanto listar os meus dez filmes preferidos de Alfred Hitchcock essa tarefa é listar os meus dez filmes preferidos de Billy Wilder.
Assim como o mestre do suspense, Wilder também foi um diretor e roteirista extremamente prolífico, com seu nome envolvido em mais de 60 filmes em 50 anos de carreira, dentre os quais 27 filmes como diretor. Foi indicado ao Oscar 21 vezes, tendo conquistado duas estatuetas como melhor diretor, duas por Melhor Filme e cinco como roteirista.
O mérito está na imensa quantidade de acertos. Quando alguém muito indeciso me pede indicações de filmes eu respondo "vai de Billy Wilder que não tem erro". E não tem mesmo! Até hoje, sempre que assisto a um filme seu que não havia assistido antes não me arrependo pois, embora não chegue perto de seus diversos filmes aclamados, sempre são ótimos.
Wilder navega com maestria por diversos gêneros, tendo maior êxito na comédia romântica e no noir. Sua direção competente e seus excelentes roteiros colocaram seu nome no patamar dos grandes diretores de Hollywood de todos os tempos, tendo dirigido muitos dos clássicos eternos da sétima arte.
Mas aqui não pretendo me ater a sua biografia, apenas introduzir e despertar a curiosidade dos que ainda não foram apresentados ao seu cinema e reavivar o desejo dos que já foram. Vamos lá!
1. Crepúsculo dos Deuses (1950)
Primeiro filme de Wilder que assisti e um dos responsáveis por instigar minha paixão pelo cinema na época em que eu estava pegando o gosto. O filme é considerado um clássico noir absoluto e está em 16° lugar na lista do AFI dos 100 melhores filmes estadunidenses de todos os tempos. Com uma atuação magnífica de Gloria Swanson no papel de uma antiga diva do cinema mudo, agora decadente, tentando voltar às telas no papel de Salomé que ela mesma escreveu para si, e que para isso pede a ajuda de um roteirista, também falido, dando início uma trama insana sobre obsessão. Conta com uma narrativa incomum, onde o narrador conta como se deu sua própria morte, ao melhor estilo Brás Cubas.
2. Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Considerada uma das melhores comédias de todos os tempos, foi indicado a seis categorias no Oscar, recebendo a de Melhor Figurino em Preto e Branco. Tony Curtis e Jack Lemon interpretam dois músicos de jazz que testemunham um assassinato e agora têm que se disfarçar de mulher em uma banda só de garotas para escapar da perseguição dos criminosos e lidar com a presença de uma linda loura interpretada por Marilyn Monroe. Quem rouba a cena é Jack Lemon, tendo sido indicado ao Oscar na categoria de Melhor Ator.
O repórter veterano Charles Tatum (Kirk Douglas) foi despedido de 11 jornais, por 11 razões diversas. Sem dinheiro, pede a Jacob Q. Boot (Porter Hall), o dono do jornal local, que lhe dê um emprego e consegue. Recebe ordem para cobrir uma corrida de cascavéis. Aparentemente seria outra matéria sem o menor atrativo mas no meio do caminho param para abastecer o carro e Tatum acaba descobrindo que um homem ficou preso em uma mina quando procurava por "relíquias indígenas". Tatum sente que esta reportagem pode ser a chance que ele esperava, mesmo que isso signifique usar métodos nada éticos para obter sua matéria.
O filme aborda temas como a ética, manipulação e sensacionalismo, tendo inspirado filmes contemporâneos como O Abutre (2014) e o sul-coreano O Túnel (2016).
O filme aborda temas como a ética, manipulação e sensacionalismo, tendo inspirado filmes contemporâneos como O Abutre (2014) e o sul-coreano O Túnel (2016).
4. Pacto de Sangue (1944)
Walter Neff (Fred MacMurray), um vendedor de seguros, é seduzido e induzido por Phyllis Dietrickson (Barbara Stanwyck), uma sedutora e manipuladora mulher, a matar seu marido, mas de uma forma que pareça acidente para a polícia e também em condições específicas, que façam o seguro ser pago em dobro (no caso, 100 mil dólares).
Outro clássico dos clássicos noir.
Outro clássico dos clássicos noir.
5. Testemunha de Acusação (1957)
Quando Leonard Vole (Tyrone Power) é preso sob a acusação de ter assassinado uma rica viúva de meia-idade, Sir Wilfrid Robarts (Charles Laughton), um veterano e astuto advogado, concorda em defendê-lo. Sir Wilfrid está se recuperando de um ataque do coração quase fatal e "supostamente" está em uma dieta, que o proíbe de ingerir bebidas alcoólicas e de se envolver em casos complicados. Mas a atração pelas cortes criminais é algo muito forte para ele, especialmente quando o caso é bem difícil. O único álibi de Vole é o testemunho da sua esposa, Christine Vole (Marlene Dietrich), uma mulher fria e calculista. A tarefa de Sir Wilfrid fica praticamente impossível quando Christine Vole concorda em ser testemunha, não da defesa, mas da acusação.
Recebeu seis indicações ao Oscar incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor ator para Charles Laughton.
Recebeu seis indicações ao Oscar incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor ator para Charles Laughton.
6. Farrapo Humano (1945)
Em Nova York, Don Birman (Ray Milland) sonhava ser escritor, mas não consegue seu objetivo por estar sofrendo de um bloqueio. Assim, é completamente dominado pelo álcool e passa a ter como única meta obter dinheiro para continuar se embriagando, se esquecendo que as pessoas que o rodeiam sofrem por vê-lo neste estado e tudo fazem para afastá-lo da bebida. Mas enquanto a namorada, Helen St. James (Jane Wyman), editora de uma revista, quer ajudá-lo, ele bebe cada vez mais.
Das sete indicações ao Oscar que recebeu, venceu em quatro, Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator (Ray Milland).
Das sete indicações ao Oscar que recebeu, venceu em quatro, Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator (Ray Milland).
7. Se Meu Apartamento Falasse (1960)
Bud Baxter é um funcionário de uma companhia de seguros em Nova York que descobriu uma maneira mais rápida de evoluir de cargo: emprestar seu apartamento para que os executivos da empresa levem para lá suas amantes. O problema começa quando Fran Kubelik, uma dessas mulheres, tenta se matar em seu apartamento.
Indicado a dez categorias no Oscar, ganhou cinco, Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Direção de Arte em Preto e Branco e Melhor Edição. Conta novamente com a participação do ator Jack Lemon como protagonista, em mais uma excelente interpretação. Outra comédia romântica notável.
8. A Mundana (1948)
Após o término da 2ª Guerra Mundial, um grupo de congressistas americanos viaja até a Berlim ocupada para analisar o comportamento das tropas americanas. Lá Phoebe Frost (Jean Arthur), uma congressista, descobre que Erika von Schluetow (Marlene Dietrich), uma cantora de cabaré que foi amante de um militar nazista de prestígio, é atualmente protegida por um oficial americano. Assim, ela pede ajuda a John Pringle (John Lund), um capitão, para ajudá-la a descobrir quem é o militar envolvido, sem imaginar que o capitão é amante da cantora.
Pouco conhecido entre os filmes de Wilder, A Mundana é uma ótima comédia ambientada no pós-segunda guerra, rica em trocadilhos com a língua alemã e repleto de humor negro e politicamente incorreto. Segue o contexto moralista dos EUA da época enquanto tira onda com o Terceiro Reich, do qual o próprio Wilder havia fugido anos antes devido a sua origem judaica. Recebeu duas indicações ao Oscar.
9. Inferno Nº 17 (1953)
Durante a Segunda Guerra, prisioneiro de um campo de concentração faz qualquer coisa para ganhar uns trocados. Os outros prisioneiros acham que ele é espião e o hostilizam. Um episódio vai mostrar que ele não é o que pensam.
Baseado na peça de Donald Bevan e Edmund Trzcinski, o filme deu o Oscar de melhor ator a William Holden, ator frequente nos filmes de Wilder.
10. Sabrina (1954)
Dois irmãos pertencem à uma poderosa família, sendo um deles (Humphrey Bogart) é um empresário incansável e o outro (William Holden) é um playboy incorrigível. Mas quando a filha do motorista (Audrey Hepburn) retorna de viagem, após passar dois anos em Paris, o playboy se modifica e, como ela sempre foi apaixonada por ele, tudo seria muito fácil de acontecer. Mas se os dois se casarem um poderosa fusão deve ser prejudicada, assim o irmão empresário decide intervir e também acaba se apaixonando por ela.
Recebeu cinco indicações ao Oscar, incluindo Melhor Atriz (Audrey Hepburn) e Melhor Diretor (Billy Wilder), vencendo na categoria Melhor Figurino em Preto e Branco.
Bônus:
Amor na Tarde (1957)
Com Audrey Hepburn e Gary Cooper fazendo um par romântico.

O Pecado Mora ao Lado (1955)
Com Marilyn Monroe na clássica cena do vestido esvoaçante.
















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