A falácia do racismo reverso


Por Felipe Lima

Vez ou outra o assunto do "racismo reverso" é debatido em discussões eufóricas na internet, universidades e programas de televisão. Mas afinal o que significa isso?

Geralmente são pessoas brancas que, relatando terem sofrido algum preconceito, ataque, ou privação por parte de grupos ou pessoas negras, alegam terem sofrido o tal racismo reverso. 


Racismo significa (1) o conjunto de teorias e crenças que estabelecem uma hierarquia, uma superioridade, entre as raças, entre as etnias. Pode significar também (2) uma doutrina ou sistema político fundado sobre o direito de uma raça (considerada pura e superior) de dominar outras.

Reverso significa oposto, contrário, revés. Até aqui entende-se que o branco que alega ser vítima de racismo por um negro trata como reverso pelo fato de que, antes, já havia racismo de brancos contra negros. Ou seja, uma forma de racismo oposta àquela que já existia. 

Quando um branco alega sofrer racismo reverso, ele está pressupondo que só há um tipo de racismo, o de branco contra negro, o que não condiz com a realidade. Faz parecer que só existe este tipo, porém existem diversas formas de racismo, inclusive de negro contra branco e entre várias etnias diferentes no mundo. Essa mesma pessoa está fazendo um desserviço para o combate à forma de racismo mais comum, ela está fomentando ainda mais a divisão de negros e brancos e está tornando mais distante o dia em que as duas raças poderão viver em perfeita harmonia, sem preconceitos.

Apenas em 2009, um dos blocos mais famosos do País, o Ilê Aiyê, de Salvador, passou a aceitar brancos. Na ocasião diversos negros condenaram a iniciativa. 
O argumento que usavam para o impedimento de entrada de brancos era o da valorização da cultura afro-brasileira. Ora, não é o que vemos quando acontece o oposto.

Neste ano estreou uma série de TV baseada na Ilíada, do poeta grego Homero, e houve um reboliço quando descobriu-se que um dos personagens principais, Aquiles, seria negro. Os fãs da história criticaram a escolha pois fugiria da realidade das características do povo grego, que é branco, mas os adeptos do movimento negro preferiram obrigar a todos a engolir. Uma verdadeira hipocrisia.

Em outro caso, quatro pessoas negras norte-americanas sequestraram um homem branco, o agredindo, amarrando seus pés e suas mãos e o amordaçando com uma fita adesiva, gritando “vão à merda, brancos!” 

Alguns podem argumentar que não existe racismo de negro contra branco, pois quando um negro descrimina um branco, faz isso como uma defesa, pelos anos de soberania branca e de desvantagem social que os negros vem sofrendo por tantos anos, mas não é isso que diz a Lei Federal Nº 7.716.

De acordo com a lei brasileira, racismo está intrinsecamente ligado à relações de poder, ou seja, impedir alguém de exercer seus direitos devido à sua raça, etnia, nacionalidade, religião ou cor. Não está especificado de qual para qual. Racismo é um só. Portanto não existe racismo "reverso", pois não há uma referência específica de onde parte a prática racista, para que haja a tal reversão. Essa prática pode vir de qualquer lado. Não há uma raça que exclusivamente sofra racismo, qualquer uma pode sofrer. 

Ataques racistas acontecem de todos os lados, e injúrias raciais mais ainda. Alguma vezes ficamos sabendo e outras vezes não, mas o fato é que acontecem.


O racismo reverso não existe, pelo simples fato de que não existe o reverso. Só existe racismo, e ponto.

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