Roda Viva: imprensa vermelha e campanha grátis

Por Felipe Lima

A sabatina que o deputado Jair Bolsonaro concedeu ao programa Roda Viva ontem (30/08/2018) foi um verdadeiro show de horrores midiático.

Eu poderia ficar dissecando cada comentário esdrúxulo mas isso demandaria tanto esforço que seria necessário um tópico só para isso. Refutar cada falácia e cada mentira seria, para mim, uma dispendiosa tarefa. Não pela dificuldade mas pela quantidade de asneiras.

Poucas vezes eu pude ver como é a verdadeira cara da imprensa como eu pude ao contemplar aqueles jornalistas fazendo perguntas retrógradas, caluniadoras, mentirosas, tendenciosas e infantis. Ali estava o retrato da grande mídia.

E ali estava o retrato do desespero.

Após a saída de Augusto Nunes do comando do programa, aquilo virou um pardieiro. O próprio âncora atual, Ricardo Lessa, ajudou a enterrar o jornalismo quando, na mesma edição, durante um pico de audiência, utilizou uma fonte da Wikipedia para formular uma pergunta. 

A edição do Roda Viva teve ontem, com Jair Bolsonaro, sua maior audiência no Youtube em 2018, com um pico de 228.000 pessoas assistindo num determinado momento e a segunda maior audiência no canal de TV, atrás apenas da entrevista com Sérgio Moro. Ficou em primeiro lugar no top trends mundial do Twitter. 


A velha mídia perdeu o monopólio da informação a um bom tempo, mas parece que os jornalistas da sabatina ignoraram este fato e subestimaram a inteligência e o conhecimento do espectador. Em pleno 2018, os entrevistadores não se continham em fazer acusações, disfarçadas de perguntas, tão mentirosas que poderiam ser desmascaradas dentro de alguns segundos por alguns usuários atentos na internet. 

Uma importante qualidade que um político profissional deve ter é a capacidade de se sair de situações embaraçosas e de acusações, verdadeiras ou falsas, durante um debate. Convenhamos que nossos políticos são mestres nesse quesito e, ainda que eu não seja fã do estilo do Bolsonaro nessa arte, admito que ele se saiu muito bem, não tanto por uma impecável desenvoltura, que não foi perfeita, mas muito pelo despreparo dos entrevistadores, que acabaram de elegê-lo.

A minha esperança de que fosse haver perguntas sérias e relevantes para um possível governo do candidato foram frustradas quando saiu a primeira pergunta, e ela era sobre a ditadura. Mais da metade do programa foi sobre a ditadura, Maria do Rosário, as arrobas do Quilombola e outros assuntos tão batidos, mas que insistentemente têm que voltar a ser explicados pelo ex-capitão por falta de munição da imprensa vermelha. 

Ouvi muitas pessoas falando: "Bolsonaro vai ser massacrado pelos entrevistadores". A verdade é que aconteceu o contrário. Se Bolsonaro é grande como é hoje, grande parte do mérito disso está com a mídia que o atacou por todos esses anos. O que aconteceu ontem consolida este fato, aumentando ainda mais o prestígio do candidato e jogando uma pá de cal na velha mídia.

Duas pessoas saíram ganhando muito do programa com campanha gratuita: Bolsonaro e o dono dos postos Ipiranga.

Supondo que não haja fraude nas eleições, Bolsonaro, que já estava praticamente eleito, participou ontem de sua cerimônia de posse.

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